Introdução
Maria Fernanda enfrenta os estigmas sociais em torno da saúde mental por meio de ações sistêmicas orientadas por dados e de uma comunicação eficaz, compartilhando conhecimento e promovendo diálogos inclusivos em comunidades de todo o Brasil.
A nova ideia
A saúde mental é uma preocupação global crescente e, diante desse cenário, Maria Fernanda acredita que o Brasil enfrenta esse problema de forma contínua e ampla na população. Para responder à infraestrutura inadequada e aos estigmas culturais que cercam o tema, ela fundou o Instituto Cactus (IC), sob o princípio de que a saúde mental é a base da experiência humana. A gestão equilibrada das emoções — positivas e negativas — revela a resiliência mental como um pilar essencial da nossa existência. Apesar do movimento global pela saúde mental, no Brasil as conversas e iniciativas sobre o assunto ainda são escassas, complexas na linguagem e amplas no conceito, tornando a informação e o acesso à rede de cuidado algo dificultoso para boa parte do público, o que ajudou a consolidar uma cultura de evitação. O Instituto Cactus busca derrubar essas barreiras por meio de uma abordagem integrada, engajando setores público, privado e social para abrir esse diálogo com a sociedade. A organização é pioneira na ampliação do acesso a recursos de saúde mental no Brasil, trabalhando para normalizar discussões sobre o tema e incentivar a tomada de iniciativa em todos os setores, motivando mais pessoas a buscar ajuda.
A atuação do Instituto é fortemente orientada pela análise de dados, visando identificar as causas da falta de acesso. Maria Fernanda acredita que compreender como fatores ambientais e coletivos interagem com as estatísticas, é essencial para construir soluções sistêmicas. Em 2020, por meio de coletas, revisão de literatura e a produção e publicação do “Caminhos em Saúde Mental, um compêndio atualizado sobre a saúde mental no Brasil, em parceria com o Instituto Veredas, foram identificados grupos prioritários: mulheres e jovens, para os quais o Instituto busca criar mais equidade no acesso à informação trazendo a importância de investimentos em prevenção e promoção de saúde mental para esses públicos, sem limitar sua atuação a esse escopo, além de levantar e amplificar a voz dessas pessoas para compreender, a partir de suas próprias vivências, as demandas, os contextos e os fatores que envolvem e impactam seu equilíbrio emocional. Dessa forma, o Instituto Cactus defende uma abordagem integrada para fortalecer todo o sistema de saúde mental.
Sua estratégia se concentra em quatro frentes: filantropia estratégica, advocacy, comunicação e consultoria. No pilar de advocacy, atua com uma abordagem top-down — influenciando políticas públicas e apoiando parlamentares na criação de leis — e bottom-up — fornecendo ferramentas e dados a órgãos governamentais para fortalecer a gestão da saúde mental no SUS. Um exemplo marcante é sua contribuição para o mapeamento de práticas de saúde mental nas escolas e para a Lei 14.819/2024, que institui a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares. Além do trabalho de advocacy, o IC investe em comunicação pública e campanhas de conscientização. Por meio de canais digitais e iniciativas como os videocasts “Saúde Mental é Assunto de Todas As Pessoas” e “De Mente Aberta”, promove debates acessíveis e educativos, buscando eliminar estigmas e ampliar o engajamento social. Em 2023, a organização colaborou com o Prêmio Espírito Público para criar uma categoria dedicada à saúde mental juvenil, destacando iniciativas públicas e promovendo a troca de conhecimento.
O trabalho de Maria Fernanda se diferencia das iniciativas tradicionais ao adotar uma nova forma de fazer filantropia, que combina doação com mentalidade empreendedora para enfrentar desigualdades sociais. Em vez de operar serviços clínicos, o IC investe capital filantrópico de forma estratégica para priorizar medidas preventivas e gerar informação acessível, corrigindo falhas sistêmicas da infraestrutura de saúde mental. Além de influenciar políticas e combater estigmas, o Instituto apoia financeiramente outras organizações e projetos para construir uma rede robusta de iniciativas pelo país. Essa cooperação constante com setores público e privado garante impacto exponencial e mensurável na sociedade.
Para fundamentar decisões de grande impacto, Maria Fernanda criou um conselho consultivo que orienta o foco das iniciativas e aporta sua expertise para apoiar o IC no enfrentamento a desafios estruturais, além de ajudar a organização a calcular os riscos de novos projetos. Entre os objetivos futuros, estão ampliar esforços de captação de recursos, monetizar projetos estratégicos de dados para gerar receita e viabilizar expansões nacionais e globais. Desde sua criação, em 2019, o IC consolidou Maria Fernanda como uma voz confiável e influente nas discussões sobre estruturas de apoio à saúde mental para mulheres e jovens no Brasil.
O problema
O bem-estar mental de uma pessoa é moldado não apenas por aspectos psicológicos e emocionais, mas também por condições essenciais como saúde física, rede de apoio social e os ambientes em que se vive. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde mental como “um estado de bem-estar no qual o indivíduo reconhece suas próprias habilidades, consegue lidar com o estresse normal da vida, trabalha de forma produtiva e contribui para sua comunidade, sendo mais do que a mera ausência de doenças”.
A saúde mental faz parte de uma crise global de saúde pública. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem atualmente com algum tipo de transtorno mental no mundo. Além disso, uma projeção publicada pela revista científica The Lancet em 2023 aponta que cerca de 50% da população mundial terá algum transtorno de saúde mental ao longo da vida. A maior exposição às redes sociais, as longas jornadas de trabalho e as pressões sociais da vida moderna têm sobrecarregado o equilíbrio emocional em escala global. Fatores críticos como infraestrutura insuficiente, falta de financiamento público para saúde mental e a persistência de estigmas e preconceitos contribuem ainda mais com o agravamento desse cenário.
Mulheres são identificadas como um grupo impactado em maior escala. Dados do Ministério da Previdência Social apontam que, em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos relacionados à saúde mental, o maior número dos últimos dez anos e um recorde registrado pelo segundo ano consecutivo. Desse total, mais de 327 mil afastamentos — cerca de 60% — envolveram mulheres, evidenciando como o adoecimento mental tem afetado de forma mais intensa esse grupo.
Da mesma forma, jovens também têm sido identificados como um grupo mais exposto a transtornos de saúde mental. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que quase uma em cada sete pessoas entre 10 e 19 anos a nível global vive com algum transtorno mental, condição que pode comprometer o engajamento escolar, dificultar a aprendizagem e aumentar o risco de evasão. No Brasil, pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz também indicam que a população jovem apresenta taxas elevadas de internação por transtornos mentais, ao mesmo tempo em que enfrenta barreiras de acesso a cuidados especializados.
O cenário evidencia lacunas na educação em saúde mental, na infraestrutura de atendimento e nas políticas públicas que garantam suporte psicológico acessível nas comunidades. Como consequência, o desenvolvimento social desses jovens é impactado, favorecendo a evasão escolar, o isolamento social e maiores dificuldades na transição para a vida adulta. Hoje, apenas cerca de 15% das escolas públicas brasileiras contam com psicólogos, de acordo com o Censo da Educação Básica realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A falta de infraestrutura adequada de saúde mental nas escolas afeta também os professores. Uma pesquisa da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho mostra que, entre 2018 e 2023, os transtornos mentais passaram a ser o principal motivo de afastamento de professores das salas de aula. Embora os dados nacionais ainda sejam fragmentados, levantamentos de redes de ensino ajudam a dimensionar o problema. Na rede estadual de São Paulo, por exemplo, foram registradas 42.155 licenças médicas de professores por transtornos mentais em 2024, totalizando mais de 1,3 milhão de dias de afastamento. O cenário evidencia o impacto do adoecimento mental na docência e reforça a necessidade de investimentos mais direcionados em políticas de prevenção, cuidado e promoção da saúde mental no ambiente escolar.
A estigmatização e a falta de acesso a conversas sobre saúde mental impedem o desenvolvimento de soluções progressivas e benéficas. A ausência de diálogo entre atores essenciais da sociedade — como empresas privadas, instituições de ensino e o setor público — agrava ainda mais o problema. O tema segue restrito, de maneira geral, aos profissionais de saúde mental, o que dificulta a prevenção e a promoção do cuidado, exclui as pessoas que precisam de apoio e limita o tratamento a casos que demandam cuidados urgentes ou altamente especializados. Isso gera, por fim, uma sobrecarga nos profissionais e no sistema de saúde como um todo.
A estratégia
Maria Fernanda fundou o Instituto Cactus para promover uma comunidade colaborativa em que diferentes perspectivas se unem para enfrentar os desafios sistêmicos da saúde mental no Brasil. O Instituto trabalha em parceria com instituições e organizações alinhadas à sua missão, além de especialistas renomados na área, para desenvolver e apoiar projetos direcionados que possam ser implementados tanto no setor público quanto no privado.
Ao longo de sua atuação, o Instituto Cactus identificou a falta de dados e informações atualizadas e consistentes sobre saúde mental no Brasil — o que dificulta a compreensão da realidade vivida pela população e a formulação de respostas realmente eficazes. Diante dessa lacuna, o Instituto, em parceria com a AtlasIntel — empresa de tecnologia especializada em inteligência de dados — liderou a criação do Panorama da Saúde Mental, uma ferramenta de monitoramento contínuo voltada à coleta periódica de dados sobre a saúde mental dos brasileiros. A metodologia do projeto foi supervisionada por um Comitê Científico especializado, responsável por garantir o uso de questionários internacionalmente validados e adaptados ao contexto nacional, assegurando a produção de dados robustos e sensíveis às especificidades culturais. O Panorama da Saúde Mental tem como objetivos apoiar a produção acadêmica e científica, fomentar inovação na área e contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes.
Como parte dessa iniciativa, foi desenvolvido o Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental (iCASM), um indicador pioneiro criado para medir e monitorar a saúde mental da população brasileira acima de 16 anos. Os dados coletados desde 2003 pelo Panorama da Saúde Mental têm estabelecido uma base sólida de dados, fortalecendo o monitoramento contínuo e ampliando a compreensão do cenário nacional. Essa estrutura de dados permite identificar tendências, avaliar impactos e orientar decisões mais precisas no campo da saúde mental.
Além disso, o Panorama teve papel essencial na sensibilização da sociedade e de gestores públicos, ressaltando a saúde mental como tema estratégico para a formulação de políticas. As coletas realizadas ao longo desses anos possibilitaram também novas análises, recortes temáticos e produção de conteúdos, ampliando o conhecimento e o debate sobre o assunto. Esse conjunto de informações tem ajudado a identificar fatores de risco entre jovens, orientar discussões, projetos e impulsionar mudanças importantes em políticas públicas e abordagens institucionais. Os dados também oferecem uma linha de base robusta para avaliar o impacto de futuras intervenções.
Mantendo seu foco na produção de dados de qualidade, o Instituto Cactus consolidou sua participação em iniciativas inovadoras voltadas à promoção da saúde mental no Brasil — com destaque para a expansão nacional do Painel de Promoção da Saúde Mental de Crianças e Adolescentes, realizado em parceria com a Vital Strategies. Esse projeto reafirma o compromisso do IC com uma abordagem de promoção da saúde que considera os determinantes sociais e adota uma perspectiva intersetorial. O Painel foi desenvolvido como ferramenta tecnológica e analítica para apoiar gestores públicos na formulação de políticas eficazes voltadas à saúde mental de crianças e adolescentes. Utilizando dados públicos das áreas de saúde, educação, segurança pública e assistência social, a plataforma permite uma análise territorializada dos fatores de risco e proteção que influenciam a população.
Estruturado a partir de 29 indicadores, o Painel resultou na criação do Índice de Promoção da Saúde Mental de Crianças e Adolescentes (IPSM), que identifica territórios mais vulneráveis e orienta políticas públicas baseadas em evidências. A iniciativa teve início com um projeto-piloto em Fortaleza (CE), em 2022, e foi ampliada para escala nacional entre 2023 e 2024, com apoio do grupo RD (RaiaDrogasil). Amplamente divulgado na mídia e em eventos técnicos, o Painel busca engajar a sociedade e gestores na promoção da saúde mental, consolidando-se como ferramenta estratégica para enfrentar os desafios do setor no Brasil.
Seus resultados demonstram avanços importantes no desenvolvimento de políticas públicas orientadas por dados. O IPSM foi disponibilizado para todos os estados e municípios brasileiros, ampliando o acesso a informações estratégicas sobre vulnerabilidades territoriais. Os principais achados foram apresentados a membros da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados e à Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde, fortalecendo o diálogo institucional e a articulação política.
Ao utilizar dados integrados para orientar políticas preventivas em instituições governamentais de saúde mental, inicia-se uma mudança de foco: do tratamento reativo para o cuidado proativo. Isso garante que os recursos cheguem às comunidades prioritárias e mais vulneráveis, possibilitando respostas direcionadas em vez de modelos “tamanho único” na criação de infraestrutura. O processo decisório passa a ser baseado em evidências por meio do uso de dashboards interativos, promovendo acessibilidade, transparência e responsabilidade nas políticas públicas. Isso assegura a alocação de recursos de forma mais equitativa e melhora na saúde mental de grupos em situação de risco, como adolescentes. Além disso, a iniciativa conta com um data lake — um ambiente amplo para armazenamento de dados em estado bruto — para integrar e armazenar dados provenientes de diversas fontes públicas, permitindo análises mais robustas e abrangentes, fortalecendo a responsabilização institucional e reduzindo práticas reativas de formulação de políticas.
As campanhas de conscientização e a comunicação pública são elementos centrais na atuação do Instituto Cactus. A organização utiliza seus canais nas redes sociais para mobilizar e sensibilizar a sociedade civil e formuladores de políticas sobre a importância de avançar na prevenção de transtornos e na promoção da saúde mental, buscando não apenas informar, mas aprofundar o conhecimento de todos os públicos envolvidos. Uma iniciativa de destaque é o videocast “Saúde Mental é Assunto de Todas As Pessoas”, que promove conversas abertas sobre saúde mental e seu impacto no cotidiano.Os episódios contam com especialistas que compartilham histórias pessoais e exploram tópicos saúde mental no ambiente de trabalho, diversidade e desenvolvimento de políticas públicas, contribuindo para desmistificar preconceitos e ampliar o acesso à informação qualificada.
No final de fevereiro de 2026, o Instituto lançou o De Mente Aberta, novo formato de videocast que organiza temporadas temáticas e aprofunda discussões a partir de recortes específicos. Na edição inaugural, o protagonismo é dos jovens do Comitê da instituição, que conduzem conversas com especialistas e representantes da sociedade civil, promovendo um diálogo intergeracional e conectado às vivências reais — como no episódio de estreia, que abordou os impactos das redes sociais na construção da identidade juvenil.
Com milhares de visualizações no YouTube e em outras plataformas, os programas fortalecem a estratégia do Instituto de transformar informação em mobilização, promovendo colaborações com especialistas e organizações, enriquecendo o conteúdo e ampliando a rede de atuação do Instituto. Ao tratar temas complexos de forma simples e compreensível, os videocasts reafirmam sua relevância e evidenciam a importância de abordar uma variedade de assuntos ligados à saúde mental para atender aos interesses de diferentes audiências.
Mantendo o foco em comunicação, o Instituto Cactus uniu forças com a organização Vamos para co-criar uma nova categoria dedicada à Saúde Mental de Adolescentes no prestigiado Prêmio Espírito Público, reafirmando seu compromisso em fortalecer iniciativas voltadas para essa faixa etária. A nova categoria foi criada para identificar e dar visibilidade a ações orientadas à prevenção de transtornos mentais e à promoção da saúde mental entre adolescentes de 10 a 19 anos. A intenção é destacar projetos que considerem a complexidade e a natureza multifatorial do tema, incentivando soluções inovadoras e eficazes para promover a saúde mental dessa população vulnerável.
Além disso, o Instituto Cactus atua diretamente com jovens para engajá-los no tema. Em 2024, criou o Comitê de Jovens do Instituto Cactus, uma iniciativa pioneira que busca aproximar adolescentes e jovens do debate sobre saúde mental, trazendo suas experiências, necessidades e perspectivas para o centro das discussões. O Comitê tem desempenhado um papel estratégico ao construir espaços de diálogo e desenvolver iniciativas voltadas à prevenção e promoção da saúde mental, além de fortalecer a representatividade desse público nas ações do Instituto.
Ele é formado por 12 jovens de diferentes regiões do Brasil, que atuam como protagonistas ao contribuir para o desenvolvimento de projetos, campanhas e conteúdos do Instituto. Para 2026, o Comitê de Jovens planeja ampliar seu impacto com ações que coloquem as juventudes no centro do debate sobre saúde mental. Estão previstas atividades lideradas pelos próprios jovens, promovendo integração e troca de experiências, além da intensificação da produção de conteúdo no TikTok e no YouTube como canais de diálogo direto. A representação geográfica e temática do Comitê também será ampliada, garantindo maior diversidade de vozes e perspectivas. Com isso, o Instituto reafirma seu compromisso com a construção colaborativa de um futuro mais saudável e inclusivo.
O Instituto Cactus também reconhece a importância de consultar especialistas que participam ativamente das discussões sobre saúde mental. Ao compreender o tema como uma questão multifacetada e transversal, que abrange diferentes dimensões conforme o contexto de análise, o Instituto formou um conselho consultivo para garantir que todas as escolhas e iniciativas sejam fundamentadas por uma variedade de perspectivas. Esses conhecimentos — que reúnem tanto experiências sociais quanto expertises técnicas — ajudam a consolidar bases claras para o trabalho futuro e promovem um diálogo significativo entre os setores público, privado e acadêmico.
Por fim, na área de advocacy, o Instituto Cactus busca avançar a agenda de medidas preventivas e de conscientização sobre saúde mental por meio de duas linhas de ação: top-down e bottom-up. A abordagem top-down visa promover mudanças nas políticas públicas que, posteriormente, se disseminam pela sociedade. Parlamentares em âmbito nacional são envolvidos no desenvolvimento e na avaliação de novas políticas de saúde mental. O Instituto oferece suporte técnico para auxiliar parlamentares na elaboração de projetos de lei, participa de audiências públicas, informa a mídia, mobiliza a sociedade civil, fornece dados para formuladores de políticas públicas e monitora o andamento das políticas de saúde mental.
A abordagem bottom-up se concentra em promover melhorias nas políticas públicas de saúde mental já existentes. O Instituto Cactus busca enfrentar os desafios contínuos na implementação e na gestão dessas políticas, oferecendo projetos e ferramentas a governos municipais e estaduais e a gestores públicos para apoiar a administração das unidades de saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS). Isso inclui a criação de dados e indicadores locais, além de um índice composto de saúde mental que auxilia gestores a avaliar os determinantes sociais que influenciam a saúde mental em seus territórios.
Um dos resultados desse trabalho de advocacy é a sanção da Lei 14.819/2024, que estabeleceu uma política nacional estruturada de cuidado psicossocial nas escolas, representando um avanço significativo na promoção da saúde mental de crianças e adolescentes. Segundo o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), mais de 47 milhões de estudantes matriculados na educação básica em todo o Brasil podem ser beneficiados por essa lei, que garante que as escolas estejam preparadas para oferecer apoio psicológico precoce, promover cuidados preventivos e implementar mecanismos estruturados para identificar e enfrentar desafios de saúde mental em articulação com famílias e serviços de saúde.
Essa conquista reforça o compromisso com a construção de ambientes escolares mais acolhedores e preparados para lidar com questões emocionais e comportamentais. Além disso, a saúde mental passou a ocupar um lugar central nos debates legislativos, acadêmicos e na mídia, contribuindo para a redução do estigma e para o fortalecimento da discussão pública. O IC também produz materiais educativos e técnicos para orientar gestores e sensibilizar a sociedade civil, ampliando a compreensão sobre a importância de políticas intersetoriais e de ações concretas voltadas ao cuidado em saúde mental.
A pessoa
Maria Fernanda nasceu em Minas Gerais como a mais velha de três irmãos e cresceu em uma família amorosa. O trabalho de seu pai fez com que a família estivesse constantemente em movimento. Maria Fernanda morou brevemente no Rio de Janeiro antes de se mudar para São Paulo, quando tinha dez anos. Criada em um ambiente religioso, ela ouvia atentamente as histórias inspiradoras que sua avó compartilhava sobre projetos sociais realizados com a igreja católica. Esses relatos despertaram nela o desejo de aprender como atender, com compaixão e eficácia, às necessidades de comunidades em situação de vulnerabilidade.
Ao longo de sua trajetória, Maria Fernanda apoiou projetos sociais oferecendo assistência imediata e resultados visíveis. Com o tempo, sua percepção sobre problemas mais profundos despertou uma determinação genuína de enfrentar as causas-raiz e promover mudanças duradouras. Essa nova mentalidade a levou a refletir mais profundamente sobre o mundo ao seu redor.
Em suas pesquisas, reconheceu a saúde mental como um campo vital e pouco explorado no Brasil, essencial para o bem-estar coletivo. Foi nesse momento que descobriu sua verdadeira paixão. A velhice de sua avó, a deficiência de seu sobrinho — e o instituto criado por sua irmã para apoiar a causa da inclusão, a Turma do Jiló, do qual ela também fez parte — foram determinantes na construção de sua trajetória, moldaram sua perspectiva e reforçou seu envolvimento com o tema. Maria Fernanda percebeu como diferentes ambientes carecem do suporte necessário para promover um estilo de vida saudável e uma mentalidade resiliente.
Inspirada pelas mulheres que admirava e influenciada pelo seu papel de mãe de três filhos, Maria Fernanda constatou que as discussões sobre saúde mental eram ausentes no ambiente escolar. Diante disso, assumiu um novo desafio: pesquisar e reunir dados para construir uma visão holística sobre o tema. Contudo, os dados eram escassos, restritos e claramente negligenciados. Dessa lacuna nasceu o Instituto Cactus, com o propósito de tornar a informação acessível e fomentar mudanças significativas no campo da filantropia.
Com o apoio do marido, Maria Fernanda institucionalizou o projeto. Hoje, enfrenta outro desafio: o aumento dos casos de transtornos mentais decorrentes do isolamento social e do uso excessivo de tecnologia. Esses fatores evidenciam a necessidade urgente de um esforço inclusivo e abrangente em prol da saúde mental.
É fundamental construir uma conscientização acessível sobre o papel essencial do cuidado psicológico. Nesse contexto, o trabalho do Instituto Cactus é crucial. Com o suporte de projetos parceiros e uma abordagem inovadora, Maria Fernanda posicionou o Instituto como um verdadeiro agente catalisador de mudança. Estruturou iniciativas baseadas em dados, fomentou diálogos multissetoriais e promoveu uma narrativa mais empática e menos estigmatizada sobre saúde mental.
A dedicação e união da equipe do Instituto Cactus resultaram em avanços significativos na forma como compreendemos o tema. Por meio de atividades educativas, o Instituto incentiva indivíduos a assumirem o protagonismo de suas próprias histórias. Hoje, Maria Fernanda e sua equipe se consolidaram como uma referência nesse campo.